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Tuesday, May 3, 2011

A Indy em imagens

Antes das nuvens pesadas e dos trovões, até que foi possível curtir o evento. Quem está acostumado á Fórmula 1 se surpreende com a fecilidade de acesso a diversos pontos da pista e a sensação de proximidade com toda a ação. Abaixo, um pouco da melhor parte (e ela não foi muito grande) do domingo no Anhembi. Acima, Ernesto Viso (KV-"Lotus"), que largou em último e foi uma das surpresas da segunda-feira, entra nos pits durante o warm up.

Tony Kanaan (KV-"Lotus") cruza o Sambódromo no ainda ensolarado domingo

Muita gente nas arquibancadas não estava vendo a primeira corrida in loco na vida. Alguns faziam questão de mostrar isso

No intervalo das atividades de pista, um par de carros de dois lugares levavam convidados para um passeio na pista. Aqui, um deles é visto sendo rebocado

Um dos carros participantes da GT Brasil durante a corrida de domingo, na reta da marginal Tietê

Helio Castro Neves (Penske) na entrada do pit lane, também no warm up

Era 1º de maio e não faltaram homenagens a Ayrton Senna. Entre as melhores, estava a deste fã

Graham Rahal, Dario Franchitti (ambos Ganassi) e Mike Conway (Andretti) passam pelas arquibancadas

Will Power (Penske) inicia mais uma volta sob bandeira amarela no Anhembi

Sunday, May 1, 2011

Um olhar de dentro para quem viu de fora

Anhembi, segundo e último dia. Após três horas e meia de completo tédio salpicado de chuva leve mas constante, o humor dos torcedores que foram acompanhar a Indy não era dos melhores. Havíamos visto umas nove voltas de corrida, duas delas em bandeira verde, antes que um toró despencasse sobre nossas cabeças nuas (ou seja, protegidas por aquelas capas plásticas baratas), inviabilizando qualquer prática automobilística no circuito em questão.

Os carros voltaram á pista, apenas para dar mais algumas voltas em bandeira amarela e retornarem aos boxes, dando a entender que a chuva, naquele momento leve, continuava inviabilizando qualquer prática automobilística no referido local.

Claro que o pobre diretor de prova, sua bandeira vermelha em punho, ouviu uma série de impropérios após a última interrupção. Ainda bem que, provavelmente, ele não possui tão vasto conhecimento do luso vernáculo.

Não foi culpa dele. De onde eu estava, era possível ver como o "S do Samba" (talvez o pior nome dado a uma curva desde a invenção da escrita) havia virado um lago que nem meia dúzia de carros de serviço conseguiu secar. Na primeira volta, Oriol Servia passou reto nesta chicane, mas retornou ao traçado. Durante esta manobra, passou em cima de uma poça épica. Algo mais comum em corridas de lanchas do que de carros.

E isso não era o pior: na reta da marginal Tietê, com novo asfalto e tudo, dois pilotos alegaram em entrevista terem aquaplanado em segunda marcha - se-gun-da mar-cha.

A rede Bandeirantes, promotora e transmissora da corrida, insistia, na narração radiofônica, que a garoa era um "dilúvio", que o evento era um "sucesso" e que a pista estava em condições "perfeitas". Mentira.

Saí do autódromo encharcado, tremendo de frio. Parecia que minhas pernas pesavam 80 kg cada enquanto as arrastava para a saída. Mas isso não me deixou irritado. O que mais irritou foi a hipocrisia do discurso oficial.

Prefeito e governador se derramavam em elogios à organização, pouco antes de cair a primeira gota do céu. E de fato, como disse em post anterior, isso era verdade; em termos. Houve um erro fundamental. Único, mas catastrófico.

O erro foi montar aquele circuito improvisado. Sabíamos, em 2010, que seu projeto havia sido concluído ás pressas. O sambódromo é estreito demais, o escoamento de água é deficiente demais e, apesar de a estrutura de arquibancadas, restaurantes, estacionamento etc. já estar montada, aquilo não é lugar para se fazer corrida de uma categoria de automóvel de ponta.

Leio agora no blog do Flavio Gomes a definição perfeita do problema: os promotores trataram a prova como um evento social, ignorando as mais básicas peculiaridades de uma corrida de carros. Com isso, a Band conseguiu irritar as milhares de pessoas que compunham o público pagante do evento, que saiu do Anhembi molhado, cansado e sem aquilo que lhe havia sido prometido. Embora não haja registro, o humor dos demais patrocinadores deve ter sido semelhante.

Agora a corrida está marcada para segunda-feira; amanhã. Boa parte dos pagantes não poderão comparecer. Os corajosos que se arriscarem terão que chegar ao Anhembi sem nenhum esquema especial de transporte ou segurança. Os cidadãos comuns de São Paulo estarão privados por mais um dia de ruas vitais para o funcionamento do de-resto-já-enlouquecedor trânsito local.

Algo me diz que testemunhei a última prova da Fórmula Indy nesta cidade. Em alguma outra oportunidade, conto mais sobre como foi.

Foto: Will Power (Penske) corre no circuito de rua do Anhembi enquanto motoristas param seus carros na Marginal Tietê para acompanhar o evento. Crédito: Daniel Médici

Saturday, April 30, 2011

Minha estreia no sambódromo

A oportunidade apareceu tão rápido que não deu tempo nem de pagar a câmera. Quando dei por mim, estava vendo os carros da Indy passarem diante de meus olhos.

O primeiro que vi foi o de Dario Franchitti, eu ainda estava dentro do ônibus que me levou rapidamente da estação Tietê ao circuito. Não posso reclamar da organização. Staff bem informado e atencioso, muitas placas de orientação. Várias opções de alimentação, banheiros em quantidade suficiente. Não estava lotado, como deve estar amanhã, mas, a continuar assim, terá sido um sucesso.

Durante o último treino da GT, aproveitei para circular pelos setores e, paralelo ao fim da reta, pude ver os carros literalmente pulando na passagem do concreto para o asfalto. Parei para observar. Pouco depois, um segurança educadamente me disse que não era permitido 'ficar parado' naquele lugar. Kafkianeidades. Mas era possível ver os carros atrás do alambrado na reta oposta, aquela da marginal Tietê. Um amigo me disse que, no ano passado, havia tapumes que encobriam a visão do espectadro. Bem, eles não estão mais lá, e ver os carros rasgando a reta a menos de cinco metros de você é indescritível.

Apesar da segurança atenciosa, um torcedor que estava ao meu lado confidenciou a outro que um amigo dele, sem credencial, havia conseguido entrar no paddock. Ele próprio havia tentado algumas vezes, sem sucesso.

Um problema incômodo, também, do setor B, é que quem fica nos andares superiores não consegue ouvir os alto-falantes.

Problemas, enfim, sempre existem. Tentarei registrar minha experiência in loco da Indy em outros posts, em breve.

Monday, March 15, 2010

São Paulo Indy 300 - Pauliceia desvairada


Do asfalto irregular aos alagamentos, por mais que a organização tentasse manter São Paulo do lado de fora do circuito, a cidade e seus problemas se infiltraram como água (até literalmente) por entre suas barreiras de concreto, e se tornaram os reais protagonistas da prova no Circuito do Anhembi.

O descaso do poder público e o desinteresse da sociedade civil por seus espaços de convivência fizeram da maior cidade da América Latina o caos que ela é hoje, seus abismos sociais e sua precariedade. Tudo isso pôde ser visto com nitidez na São Paulo Indy 300, ela mesma produto da “força da grana que ergue e destroi coisas belas”.

As emergências estruturais da metrópole não costumam explodir assim nas corridas internacionais que a cidade abriga, já que o Autódromo José Carlos Pace é muito mais bem equipado e costuma se tornar uma ilhota de primeiro mundo em dias de GP Brasil.

E como a FOM jamais cederia Interlagos para a Indy, São Paulo teve ontem a primeira oportunidade de ver uma corrida de carro em suas ruas desde 1936.

Obviamente, muito do espírito se alterou em sete décadas. Se antes o local escolhido havia sido o nobre Jardim América, residência da elite, um dos bairros planejados da City, para este ano foi eleito o triângulo entre um sambódromo modernista, uma área de eventos de arquitetura industrial e uma das avenidas mais feias do país. Encravado à beira de um rio poluído, a transmissão da prova compensou a falta de apuro estético com o abuso de planos fechados e câmeras aéreas em longínquos helicópteros. Desnecessário dizer que o equipamento televisivo é incapaz de transmitir cheiros.

Se em 1936 o GP da Cidade de São Paulo atuava como uma vitrine para seduzir a afortunada elite paulistana a adquirir um automóvel, hoje a Indy rasga uma Marginal Tietê entupida de carros nos dias de semana.

Algo, no entanto, se manteve: o amadorismo. O mesmo que matou espectadores em 1936 deu as caras ontem para determinar uma largada numa reta estreita demais para tal procedimento, para ignorar o risco de chuva forte, para fazer os pilotos se arriscarem em um piso mal preparado.

Ontem, a Indy nos mostrou que talvez, em São Paulo, a falta de planejamento não seja um dado conjuntural, mas uma marca bem mais arraigada do modus operandi dessa metrópole louca.