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Incrível pensar que Emerson já chegava aos 50 e havia três décadas corria em categorias top, mas só um acidente grave conseguiu forçar sua aposentadoria. A quase-fatalidade aconteceu na Marlboro 500, prova da Cart disputada em Michigan, há 15 anos.Logo após a bandeira verde, uma disputa com Greg Moore jogou o Hogan do brasileiro de traseira contra o muro. Precisou de ajuda médica para sair do cockpit. Por muito pouco a colisão não compromete uma vértebra cervical.Naqueles precisos meados dos anos 90, a Fórmula 1 ainda ostentava certa pecha de assassina e muitos brasileiros passaram a acompanhar mais detidamente a Champcar norte-americana. Esta, porém, não ficou muito atrás da co-irmã europeia: duas semanas antes do acidente de Fittipaldi, o sueco Jeff Krosnoff havia morrido num acidente em Toronto. Os espectadores que assistiam pela tv puderam acompanhar com razoável riqueza de detalhes a frente do seu carro sendo arremessada contra a grade de proteção e se desfazendo em milhares de pedaços.Naturalmente, isso potencializou a comoção por Fittipaldi após a sua batida. Ainda bem, não foi o caso de o automobilismo perder um dos mais importantes nomes de sua história. Emerson ainda está entre nós. Três anos depois, Greg Moore não teve a mesma sorte.
Dia 26 de maio de 1996. O autódromo lotado assiste à octagésima edição das 500 Milhas de Indianapolis.Mas a 350 km ao norte dali, carros com as mesmas especificações também esperam pela bandeira verde, alinhados em filas de três carros. Eles estão no autódromo de Michigan e disputam a malfadada US 500.Tudo começa com a cisão entre a CART e a IRL, anunciada em 1995 e realizada em 1996. Tony George, o dono do Indianapolis Motor Speedway e promotor da corrida mais tradicional do automobilismo, anuncia a criação de uma temporada paralela constituída de três provas, a última das quais a Indy. Os carros utilizados, a princípio, teriam as mesmas especificações dos da CART.Isso sucitou o interesse dos times da CART em se inscreverem na prova, sem participar do campeonato rival. A polêmica começou, porém, quando George estabeleceu que 25 das 33 vagas do grid estariam reservadas aos primeiros colocados do campeonato da IRL - ou seja, os 20 e tantos integrantes da CART teriam de se degladiar pelas oito vagas restantes.A CART, por sua vez, decidiu boicotar o evento. Para isso, anunciou uma prova de 500 milhas para o mesmo dia da Indy, no oval de Brooklyn, Michigan. Seria a segunda a ser disputada no local no mesmo campeonato, além da já estabelecida corrida que sempre acontecia entre julho e agosto. Como provocação, o evento copiou também alguns dos procedimentos tradicionais da Indy: treinos classificatórios em fim de semana diferente do da corrida, carros alinhados em três carros para a largada entre eles.O raciocínio fazia sentido: quando ocorreu a cisão, as melhores equipes e muitos dos melhores pilotos ficaram retidos na CART. A IRL era constituída de chassis ultrapassados e motores mais fracos. Criando um evento paralelo, a atenção do público se voltaria naturalmente a eles.Estavam errados.
Como mostra a imagem do alto, a venda de ingressos não foi exatamente um sucesso. Além disso, outro fator colaborou para minar a credibilidade do público na US 500.Sendo a pista de Michigan mais estreita, não é difícil imaginar o que aconteceu com a formação de três carros por fila. Pouco antes da bandeira verde, um toque na primeira fila desencadeou um pandemônio que provocou a colisão de dez carros, incluindo o pole, Jimmy Vasser. Receosa de fazer uma corrida com apenas 16 competidores, a direção de prova permitiu o realinhamento dos acidentados - e Vasser, por fim, venceu. Tal concessão, no entanto, não foi considerada legítima por todos.Diante do fracasso, a prova nunca mais voltou a ser realizada. Os times não viam com bons olhos a realização de dois eventos por ano em um único lugar. A Indy 500 não teria mais concorrentes, mesmo a partir de 1997, quando a IRL passou a usar carros com outra especificação, tornando mais cara uma eventual inscrição de um time da CART. Fotos: No alto, André Ribeiro passa pelo posto do diretor de prova na Indy 500. Acima, o carro de Bryan Herta é rebocado em acidente pouco antes da largada. Ao fundo é possível ver a Ganassi de Jimmy Vasser, que venceria a prova.