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Tuesday, June 1, 2010

François Cevert, Kyalami Ranch, 1972

Clima de Copa do Mundo, as seleções chegando aos bem-aparatados hoteis que os hospedarão durante o evento na África do Sul. Difícil não lembrar do Kyalami Ranch, refúgio que abrigava os pilotos e o staff das equipes nas semanas de GP no país, entre o fim dos anos 1960 e início dos 80.

Briefings em trajes de banho, pilotos à beira da piscina, ou jogando ping-pong não eram incomuns no resort, a uns poucos quilômetros da pista homônima. Como a foto de Cevert, acima, atesta, era uma extensão festiva dos já descontraídos paddocks da época.

Difícil conceber as atuais concentrações das seleções de qualquer país como algo parecido ao Kyalami Ranch. Nós, os torcedores, tratamos os jogadores como soldados, o evento como uma guerra, e é natural que os resorts ostensivamente luxuosos se assemelhem mais, por trás do verniz do conforto, a um acampamento militar.

Tuesday, February 2, 2010

Indie Rocks – Team Gunston, África do Sul, 1971


Um mês não foi suficiente para publicar a quantidade de material que coletei para falar sobre o "país da Copa". Dessa forma, termino a série um pouco mais tarde do que o prometido - e com o hd cheio de material para publicar. Por isso ela talvez volte, em outros moldes, no meio do ano - depende da receptividade do público e de uma eventual oportunidade para abordar o tema.

A foto acima está colocada para ilustrar o que foi afirmado no último post sobre o
Team Gunston – que era um dos mais profissionais do continente africano.

Aí está a prova. John Love passou a maior parte das 30 voltas que completou no GP da África do Sul de 1971 à frente de Ronnie Peterson. Aliás, seguido de perto por este. Ambos corriam com um March-Ford. Mas enquanto o sueco estava na equipe de fábrica com o novo modelo 711, Love pilotava o “ex-works” 701, da temporada anterior.

Foi o penúltimo ano do Team Guston em Grandes Prêmios. A partir de 1973, as equipes clientes sul-africanas desapareceram dos grids da Fórmula 1, já que as competições regionais, que os ocupavam durante o resto do ano, passaram a usar os Fórmula 5000.

A título de curiosidade, atrás de Peterson, na foto, está outro piloto local: Dave Charlton, em uma Brabham.

Wednesday, January 27, 2010

Cartazes - GP da África do Sul 1967


A partir de 1967, a etapa sul-africana se deslocou para Kyalami, mais perto dos grandes centros urbanos. O cartaz que o apresenta apresenta algumas sacadas e soluções interessantes.

Uma delas é organizar o título de forma a anunciar o evento em duas das línguas oficiais do país. Mas talvez a aposta mais certeira tenha sido a paleta de cores: amarelo, vermelho e um verde escuro. Só por elas já é possível saber que a corrida se dará no continente africano.

Interessante notar a sensação de rapidez em uma curva à esquerda passada pelo carro desenhado. Afinal, com exceção do Jukskei Sweep, as curvas mais notáveis de Kyalami são todas tomadas à direita...

Friday, January 22, 2010

Indie Rocks - Team Gunston, África do Sul, 1969


Das equipes “locais” que se inscreviam apenas em GPs da África do Sul, o Team Gunston é o exemplo mais destacado. Os europeus da Lotus, Brabham, Ferrari etc eram unânimes em considerá-los os mais profissionais da região.

Na verdade, era uma equipe da Rodésia (atual Zimbábue), país que ficou conhecido por um dos governos mais autoritários e racistas do século XX. O Team Gunston estreou no GP da Rodésia de 1967 (sem relação com o campeonato mundial) em torno dos dois melhores pilotos do país: John Love e Sam Tingle.

A Gunston era uma marca de cigarros pertencente ao grupo rodesiano Winston, e o patrocínio no automobilismo teve como objetivo promover os negócios no país vizinho, já que eles próprios se afundavam em guerras civis e precisavam de capital externo. Dessa forma, quando os pilotos da Gunston alinharam para o GP da África do Sul de 1968, fizeram da equipe a primeira na história (antes mesmo da Lotus) a correr com patrocínio de cigarro na Fórmula 1.

Na foto acima vemos John Love com uma Lotus 49 em Kyalami. O contrato com a Winston previa que os pilotos recebessem uma certa soma de dinheiro anualmente, mas eles mesmos eram responsáveis por comprar e manter os próprios carros.

Sunday, January 17, 2010

Indie Rocks – Team Pretoria, África do Sul 1968


Uma equipe de um piloto só, de uma corrida só. Jackie Pretorius foi um grande nome do automobilismo de seu país a seu tempo e, como seus compatriotas, costumava se inscrever nos GPs quando a Fórmula 1 visitava a África do Sul.

Tentou largar em meio aos ‘pilotos graduados’ em 1965, num carro nacional, da LDS. A foto mostra sua segunda tentativa: com um Brabham BT11, munido de um motor Climax.

Largou em 23º e último, e completou 71 das 80 voltas. Apesar de receber a bandeirada, não foi classificado por não atingir o percurso mínimo, 90% da distância do vencedor. Pretorius fez outras duas aparições, mas não com seu Team Pretoria: em 1971, com o Team Gunston, e em 1973, com um dos carros de Frank Williams.

O piloto foi bastante influente do lado de fora das pistas: por exemplo, como um dos mentores e conselheiros de Jody Scheckter, prestes a tentar a sorte na Europa. Era conhecido por seu bom humor e irreverência.

Nos últimos anos, viveu uma aposentadoria confortável, até que a violência endêmica do país lhe cobrou o preço. No ano passado, uma tentativa de assalto à sua casa o deixou ferido. Pretorius não resistiu e morreu em 30 de março de 2009. Antes, havia perdido sua mulher, também assassinada.

Sunday, January 3, 2010

Cartazes - GP da África do Sul 1963


Quando entrou no calendário no campeonato mundial de pilotos, em 1962, o GP da África do Sul era disputado no autódromo de East London. Naquela região os primeiros GPs do país haviam sido realizados, nos anos 30, em uma localidade de não muito fácil acesso na costa leste do país.

E no entanto era um lugar agradável, principalmente pela proximidade com o mar, que o cartaz acima, da corrida de 1963, destaca ao fundo. O enorme céu azul desenhado também deve ter influenciado positivamente a opinião dos europeus. No mais, é um cartaz que nos coloca dentro da pista, em alta velocidade, possivelmente sentados em cima do motor do carro que vai à frente. Os monopostos parecem inspirados nos Cooper que dominaram as pistas até 1960. Curioso, para os leigos, notar a data do evento: 28 de dezembro.

Friday, January 1, 2010

O ano da Copa, o país da Copa


Anos de Copa do Mundo (e, por que não, de Jogos Olímpicos também) costumam ser desgastantes para os devotos do esporte a motor: cobertura mais restrita, mudanças de horário e diminuição de interesse do público amplo são alguns dos transtornos. Este ano será um deles.

Até que a Copa comece, no meio do ano, ela dominará a pauta do noticiário esportivo e tenderá a asfixiar um pouco além do normal outras discussões. Quando ela começar, entretanto, o panorama será bem pior.

Lutar contra tal tendência é estúpido. Por isso mesmo que decidi me juntar a ela desde o primeiro minuto deste ano. E meu maior aliado será justamente o país da Copa.

A África do Sul, afinal, tem uma história riquíssima nas pistas. E aproveitando a tradicional falta de informação nova que abala a Fórmula 1 e o automobilismo em geral, o país será o carro-chefe deste espaço ao longo do mês de janeiro.

Antes que me perguntem, nunca fui à África do Sul, não conheço sua cultura e sua sociedade presencialmente. Estou desautorizado, portanto, a emitir alguma opinião confiável a respeito do tema em si. Por outro lado, reuni ao longo dos anos muitos dados sobre a competição automotiva por lá, e o momento me parece propício para compartilhá-los aqui.

Há mais de 15 anos este país não figura mais na elite do automobilismo, mas ao longo do século passado ele exerceu certo protagonismo. Algumas Grandes Épreuves foram realizadas lá nos anos 1930, atraindo carros e competidores europeus. Ao final dos anos 50, quando a Fórmula 1 começava a se estruturar melhor, um GP sul-africano no campeonato começou a se delinear, realizando-se de fato em 1962.

Durante os anos 1960 e até 1970 o país se colocava como uma espécie de "residência de verão" para os grandes pilotos e equipes da Fórmula 1 que fugiam do frio do Velho Mundo. Tal dinâmica perdurou até meados dos anos 1980, quando o GP sul-africano foi extinto. Chegou a retornar no início dos anos 1990, apenas por um biênio, até cair no ostracismo. Durante o auge, a África do Sul produziu uma safra de pilotos talentosos, com destaque para Jody Scheckter, que seria campeão mundial; e até mesmo um campeonato de Fórmula 1 próprio era promovido por lá.

Como não poderia deixar de ser, o esporte a motor sempre esteve sujeito a pressões políticas e econômicas, das quais a nação jamais deixou de sofrer. A insustentabilidade do regime apartheid emergia desde a metade do século XX. Mantendo-se relativamente distante no início, a Fórmula 1 também não pôde ignorá-lo e dele mesmo acabou por padecer: a execução de um dissidente negro em 1985, a poucos quilômetros do autódromo de Kyalami, na semana da realização do GP, transformou a corrida num ridículo detalhe. Em 1992 e 1993 o regime segregacionista já tinha arrefecido - Nelson Mandela até circulou pelo paddock no derradeiro evento -, e cairia em definitivo um ano depois. Mas a reconstrução do tecido social do país, problemático até os dias de hoje, minou os recursos necessários para um parque automobilístico e para outras futilidades.

Durante o mês que se segue, gostaria de entregar ao leitor um aprofundamento na história da Fórmula 1 na África do Sul. Inserida no contexto da história africana, podemos ver algumas semelhanças: tão trágica quanto fascinante; se ela pode nos trazer alguma lição, é a de que o mundinho das corridas jamais pode voltar as costas para o que acontece no mundo lá fora. Aí está a sua beleza.

Monday, October 12, 2009

Indie Rocks – Rob Walker, África do Sul, 1969


O primeiro post de muitos sobre o time nesta seção. Você talvez não conheça Rob Walker, mas é provável que já tenha tomado um porre com um de seus antepassados. É isso mesmo. Walker é escocês. Não só, mas herdeiro de uma fortuna vinda da produção de uísque.

Morto já há alguns anos, sua carreira na Fórmula 1 é um dos maiores exemplos até hoje na categoria do lema “Keep walking”. Walker foi o mais importante dono de equipe independente. Seu time, que em alguns momentos se chamou RCC Walker Racing Team, em outros Rob Walker/ Jack Durlacher Racing Team, foi o primeiro e o último independente a vencer uma corrida.

Para se contar a sua saga seria necessário citar pelo menos quatro pilotos: Maurice Trintignant, Stirling Moss, Jo Bonnier e Jo Siffert. É com este último que começamos. Um suíço obstinado, vindo de família simples e de mais talento do que as estatísticas foram capazes de refletir. Fotografado aqui durante o GP da África do Sul de 1969, pode-se ver bem a cor do carro, um azul escuro intenso com uma faixa branca no bico. O modelo é um Lotus 49B. O desenho que designava carros inscritos sob a bandeira escocesa.