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Friday, September 17, 2010

Cartazes - GP de Cingapura, 2010

Não é comum aparecer um cartaz contemporâneo digno de nota por aí; mas quando surge, é preciso mencioná-lo. O do GP de Cingapura, a ocorrer na semana que vem, é um deles.

Talvez não seja o único - frequentemente, a FOM produz seus próprios cartazes, deixando a cargo dos promotores do evento conceberem ou não o seu próprio. Claramente, este não é da FOM.

Digitalmente, elementos do 'skyline' da cidade-sede do GP foram dispostos de forma a criar, sob um determinado ponto de vista, a silhueta de um monoposto. A composição deve ter exigido um trabalho beneditino de "photoshopagem", mas não nos interessa aqui as dificuldades técnicas, e sim a mensagem que a obra quer passar.

E a mensagem é muito clara: a de que este não um simples evento para o local, mas que Cingapura realmente vive esta corrida. Os que já presenciaram a prova, em geral, confirmam esta afirmação. É uma corrida de rua mais parecida com Mônaco, e menos com Valência (à qual os valencianos parecem ignorar solenemente).

Em São Paulo, cidade que abriga um número de habitantes equivalente à de alguns países, é fácil fazer com que o GP do Brasil passe despercebido. Há outros eventos acontecendo, muito a fazer, outros lugares a ir, longe do congestionamento tradicionalmente formado no entorno do longínquo autódromo de Interlagos. Em outubro, por exemplo, além do GP, acontece também a Mostra de Cinema, que recebe uma infinidade de filmes, concentrados principalmente nas salas do circuito avenida Paulista.

Cingapura, por sua vez, possui metade da população de São Paulo. A corrida não é realizada num subúrbio de difícil acesso, mas entre os pontos turísticos do Downtwn Core. Eis o porquê de este ser um cartaz maravilhoso: os prédios de São Paulo jamais aceitariam assumir a forma de um carro de Fórmula 1.

Friday, May 21, 2010

Cartazes - 12 Horas de Reims, 1954

Há algum tempo não dou continuidade à seção 'Cartazes', por isso quero retomá-la com uma pequena raridade. As 12 Horas de Reims eram uma importantíssima competição anual nos anos 1950, época em que as provas de esporte-turismo rivalizavam em importância com os Grands Prix.

Em 1954, a Jaguar vingou sua derrota para as Ferrari em Le Mans (note, o evento era realizado poucas semanas após as célebres 24 Horas) e os British Racing Green ocuparam os três primeiros lugares, todos modelo D-type. A vitória coube à dupla Peter Whitehead e Ken Wharton, com Duncan Hamilton e Tony Rolt, segundos em Sarthe, repetindo a colocação.

Vale a pena mencionar os quartos colocados, Masten Gregory e Clemente Biondetti. Este seria logo forçado a abandonar as pistas para tratar de um câncer, que terminou por vencê-lo em 22 de fevereiro do ano seguinte.

O cartaz investe no clima noturno: de fato, muitas vezes, a largada (efetuada em sistema Le Mans) ocorria à noite. Ao fundo, a ponte Dunlop. Em meio à penumbra, é possível reconhecer um carro verde à frente, seguido de um vermelho e um prateado - respectivamente, Jaguar, Ferrari e Mercedes. A tragédia nas 24 Horas do ano seguinte cancelou a etapa, que retornaria em 56 e teria sua última realização em 1967.

Wednesday, February 24, 2010

Cartazes - GP da Espanha 1975


Amanhã a Fórmula 1 inicia seus últimos e mais importantes testes pré-temporada, no Circuit de Catalunya, próximo a Barcelona, sede do GP da Espanha desde 1991.

A Espanha tem uma história rica no automobilismo, mas, curiosamente, os primeiros passos do esporte a motor no país foram dados em duas de suas províncias mais rebeldes: o país basco e a Catalunha. Talvez daí o nome do autódromo frisar tanto a região que o abriga.

Para marcar a atividade de pista na terra de Salvador Dalí, Antoni Gaudí e Joan Miró, acima está o cartaz do GP da Espanha de 1975, ocorrido em Montjuïc, nas ruas da capital catalã. A menção a grandes nomes das artes visuais e arquitetura está longe de ser casual: a inventividade estética de seus habitantes também ecoa na divulgação do evento.

Nota-se que o cartaz se destaca muito mais como desenho do que, propriamente, como cartaz. Dominante em primeiro plano, a McLaren de Emerson Fittipaldi. Assim fica fácil imaginar a raiva dos organizadores quando ele se retirou da prova em protesto por razões de segurança...

No mais, o uso da luz salta aos olhos, além do peculiar diálogo entre mobilidade e imobilidade - enquanto carros e prédios estão bem focados, as árvores, o asfalto, as rodas e até mesmo o céu parecem se mover.

Note que o cartaz anuncia o circuito de "Montjuich", enquanto aqui no Cadernos ele sempre é citado como Monjuïc. Explica-se: enquanto GP da Espanha, sua divulgação foi feita em espanhol (castelhano). Já a última ortografia é a da língua catalã. Orgulhosos que são de seu território, porém, os organizadores colocaram acima de qualquer outro elemento o logotipo do Reial Automòbil Club de Catalunya.

Wednesday, January 27, 2010

Cartazes - GP da África do Sul 1967


A partir de 1967, a etapa sul-africana se deslocou para Kyalami, mais perto dos grandes centros urbanos. O cartaz que o apresenta apresenta algumas sacadas e soluções interessantes.

Uma delas é organizar o título de forma a anunciar o evento em duas das línguas oficiais do país. Mas talvez a aposta mais certeira tenha sido a paleta de cores: amarelo, vermelho e um verde escuro. Só por elas já é possível saber que a corrida se dará no continente africano.

Interessante notar a sensação de rapidez em uma curva à esquerda passada pelo carro desenhado. Afinal, com exceção do Jukskei Sweep, as curvas mais notáveis de Kyalami são todas tomadas à direita...

Monday, January 11, 2010

Cartazes – GP do Rand 1963


Nos anos 60, deslocar toda estrutura da Fórmula 1 para a África do Sul para disputar apenas uma corrida era um grande desperdício. Por isso, quando os melhores pilotos estavam lá, na época da virada do ano, durante o inverno do hemisfério norte, entre duas e quatro corridas de Fórmula 1 eram marcadas para reunir os pilotos internacionais e locais.

O GP da África do Sul, válido para o campeonato, em princípio foi atribuído a East London. Já Kyalami era sede do GP do Rand, que foi disputado ininterruptamente de 1961 a 1965.

O nome "Rand" é curioso: vem de 'Witwatersrand', ou Montanha das Águas Brancas, uma localidade próxima a Johannesburgo que era a maior reserva de ouro do país. Como Kyalami também fica próxima da cidade, herdou a referência.

O cartaz de 1963, mais uma vez, não deixa dúvidas quanto ao talento do desenho gráfico sul-africano. A prova foi disputada no dia 14 de dezembro em duas baterias de 25 voltas cada. Ao final, dobradinha das Ferrari, com John Surtees seguido por Lorenzo Bandini.

Sunday, January 3, 2010

Cartazes - GP da África do Sul 1963


Quando entrou no calendário no campeonato mundial de pilotos, em 1962, o GP da África do Sul era disputado no autódromo de East London. Naquela região os primeiros GPs do país haviam sido realizados, nos anos 30, em uma localidade de não muito fácil acesso na costa leste do país.

E no entanto era um lugar agradável, principalmente pela proximidade com o mar, que o cartaz acima, da corrida de 1963, destaca ao fundo. O enorme céu azul desenhado também deve ter influenciado positivamente a opinião dos europeus. No mais, é um cartaz que nos coloca dentro da pista, em alta velocidade, possivelmente sentados em cima do motor do carro que vai à frente. Os monopostos parecem inspirados nos Cooper que dominaram as pistas até 1960. Curioso, para os leigos, notar a data do evento: 28 de dezembro.

Friday, January 1, 2010

O ano da Copa, o país da Copa


Anos de Copa do Mundo (e, por que não, de Jogos Olímpicos também) costumam ser desgastantes para os devotos do esporte a motor: cobertura mais restrita, mudanças de horário e diminuição de interesse do público amplo são alguns dos transtornos. Este ano será um deles.

Até que a Copa comece, no meio do ano, ela dominará a pauta do noticiário esportivo e tenderá a asfixiar um pouco além do normal outras discussões. Quando ela começar, entretanto, o panorama será bem pior.

Lutar contra tal tendência é estúpido. Por isso mesmo que decidi me juntar a ela desde o primeiro minuto deste ano. E meu maior aliado será justamente o país da Copa.

A África do Sul, afinal, tem uma história riquíssima nas pistas. E aproveitando a tradicional falta de informação nova que abala a Fórmula 1 e o automobilismo em geral, o país será o carro-chefe deste espaço ao longo do mês de janeiro.

Antes que me perguntem, nunca fui à África do Sul, não conheço sua cultura e sua sociedade presencialmente. Estou desautorizado, portanto, a emitir alguma opinião confiável a respeito do tema em si. Por outro lado, reuni ao longo dos anos muitos dados sobre a competição automotiva por lá, e o momento me parece propício para compartilhá-los aqui.

Há mais de 15 anos este país não figura mais na elite do automobilismo, mas ao longo do século passado ele exerceu certo protagonismo. Algumas Grandes Épreuves foram realizadas lá nos anos 1930, atraindo carros e competidores europeus. Ao final dos anos 50, quando a Fórmula 1 começava a se estruturar melhor, um GP sul-africano no campeonato começou a se delinear, realizando-se de fato em 1962.

Durante os anos 1960 e até 1970 o país se colocava como uma espécie de "residência de verão" para os grandes pilotos e equipes da Fórmula 1 que fugiam do frio do Velho Mundo. Tal dinâmica perdurou até meados dos anos 1980, quando o GP sul-africano foi extinto. Chegou a retornar no início dos anos 1990, apenas por um biênio, até cair no ostracismo. Durante o auge, a África do Sul produziu uma safra de pilotos talentosos, com destaque para Jody Scheckter, que seria campeão mundial; e até mesmo um campeonato de Fórmula 1 próprio era promovido por lá.

Como não poderia deixar de ser, o esporte a motor sempre esteve sujeito a pressões políticas e econômicas, das quais a nação jamais deixou de sofrer. A insustentabilidade do regime apartheid emergia desde a metade do século XX. Mantendo-se relativamente distante no início, a Fórmula 1 também não pôde ignorá-lo e dele mesmo acabou por padecer: a execução de um dissidente negro em 1985, a poucos quilômetros do autódromo de Kyalami, na semana da realização do GP, transformou a corrida num ridículo detalhe. Em 1992 e 1993 o regime segregacionista já tinha arrefecido - Nelson Mandela até circulou pelo paddock no derradeiro evento -, e cairia em definitivo um ano depois. Mas a reconstrução do tecido social do país, problemático até os dias de hoje, minou os recursos necessários para um parque automobilístico e para outras futilidades.

Durante o mês que se segue, gostaria de entregar ao leitor um aprofundamento na história da Fórmula 1 na África do Sul. Inserida no contexto da história africana, podemos ver algumas semelhanças: tão trágica quanto fascinante; se ela pode nos trazer alguma lição, é a de que o mundinho das corridas jamais pode voltar as costas para o que acontece no mundo lá fora. Aí está a sua beleza.

Monday, December 21, 2009

Cartazes – GP da Tchecoslováquia, 1949


O desenho do cartaz fala por si só. Em tcheco, mas fala. Em duas cores, o traço destaca a frente de um carro, deixando-o porém quase irreconhecível. A roda dianteira esquerda é desenhada por completo, numa atitude que lembra Rembrandt ou Cézanne. O piloto, lá atrás, confunde-se com a mancha do céu. A cidade ao fundo delimita o horizonte.

Parece uma foto em grande angular, clicada debaixo do carro.

A corrida em si merece algumas linhas. Foi disputada nas perigosas estradas ao redor de Brno, na Tchecoslováquia, em 20 voltas de 17,80 km, em setembro – a última prova importante daquele ano.

No grid, muitos pilotos locais e mesmo as maiores estrelas alinharam em carros particulares. Apenas a Gordini, das equipes oficiais, deu as caras.

O risco se manifestou desde o início: o piloto Václav Uher faleceu após acidente nos treinos, e Karel Vlasín não pôde correr porque bateu em um caminhão (?) antes da largada.

Ainda assim, 23 carros partiram. No grid, as Maserati dominaram as quatro primeiras posições, e duas delas marcaram a melhor volta da corrida (Bira e Graffenried, em 8m03s0). Mas aos poucos elas abandonaram até a liderança recair sobre Peter Whitehead, numa Ferrari, que venceu em 2h48min41s0. Mais da metade dos que largaram não correram até o fim, muitos deles devido a acidentes.

Saturday, November 21, 2009

Cartazes - Coppa Acerbo 1935


Um dos meus registros preferidos do automobilismo do entreguerras: carros passando no meio de casas, um testemunho de como as provas da época eram uma experiência sensível, sem mediações (barreiras físicas ou não) entre o espectador e o evento.

O cartaz (já que é o assunto principal da seção) está no canto superior direito, integrando-se a paisagem. Vemos que as casas já estiveram em melhor estado - nada surpreendente, já que a I Guerra deixara a Europa em frangalhos e Pescara jamais esteve etre as regiões mais ricas da Itália.

Quando pensamos em automobilismo italiano recordamos imediatamente de Monza, mas convém lembrar que carros riscavam o chão de muitos outros lugares daquele país. A corrida em Pescara, conhecida como Coppa Acerbo, nunca foi tão importante quanto o GP nacional, mas era relevante o suficiente para que as melhores flechas de prata dividissem espaço com as Alfas todos os anos. O circuito era o mesmo que seria usado mais tarde no GP de Pescara de Fórmula 1 em 1957, até hoje conhecido como a pista mais longa a sediar um evento do Campeonato Mundial: 25,579 km, incluindo duas enormes retas e um trecho sinuoso e infindável.

Na foto, Tazio Nuvolari em sua Alfa Romeo.

Saturday, November 7, 2009

Cartazes - GP da Austrália 1993

Dentre os muitos marcos históricos que o GP da Austrália de 1993 nos deixou, o cartaz de divulgação certamente não é um deles: uma colagem de fotos sem sentido, num formato padronizado, uma avalanche de informação confusa e uma atenção mínima à paleta de cores.

Mesmo assim fica o registro. Ayrton Senna venceu lá a última prova, até o momento, sem reabastecimento. O GP seguinte caberia a Michael Schumacher, em Interlagos, em 1994, o primeiro em dez temporadas com reposição de combustível.

O destino tem das suas eloquências.



Tuesday, October 6, 2009

Cartazes - GP dos Estados Unidos 1974

Uma grande colaboração de Paulo Alexandre Teixeira, o homem por trás do Continental Circus, não me deixou passar em branco os 35 anos do bicampeonato de Emerson Fittipaldi - o que blogs mais competentes já devem ter abordado.

A imagem nos traz uma imensa Ferrari em primeiro plano seguida de perto por uma Shadow. O número 12 era usado por Lauda à época, mas o ilustrador recorreu à licença poética de representá-lo de capacete amarelo. O carro atrás designa Jean-Pierre Jarier.

A linha fina, abaixo do nome do GP, faz da peça um precioso documento histórico. O "Formula One for the World Championship of Drivers" remete a uma época em que Fórmula 1 (especificação de um carro de competição) e Campeonato Mundial de Pilotos eram conceitos distintos - a "Fórmula 1" só unificou ambos oficialmente em 1981.

O total de prêmios em dinheiro distribuído também é colocado: 300 mil dólares, o que na época era uma bolada. O GP em Watkins Glen era o que melhor remunerava os participantes. Nesta época, os chamados adiantamentos de participação (que os promotores pagavam para cada carro que alinhase, o valor variando de acordo com o talento e o valor da imagem de cada piloto ou time) e os prêmios por vitória ainda eram importantíssimas fontes de receita das equipes. Quando as receitas de royalties pela transmissão televisiva superaram de longe esta outra, Glen perdeu importância e seu lugar no calendário.

Um pouco do que sobrou daquele bucólico e simpático autódromo no estado de Nova York foram as imagens. O que nos leva ao ponto alto do cartaz: note como ele soube reproduzir bem a paleta de cores de um típico GP dos Estados Unidos da época, os tons de azul, verde e amarelo, até mesmo a torcida. Abaixo, para efeito de comparação, Andretti correndo com sua Parnelli em Watkins Glen, em 1974.



Tuesday, September 29, 2009

Cartazes - GP do Japão 1994

Uma peça que só poderia ser concebida no Japão, com seu temor e reverência pelos ancestrais. Uma paleta de cores muito primária e vibrante (no mau sentido) talvez esconda um pouco da beleza deste cartaz de 15 anos atrás, no qual os promotores apostaram em algo um tanto incomum: olhar para trás.

Cada carro representa um vencedor em Suzuka, do mais recente para o mais antigo. Logo em primeiro plano está Ayrton Senna cuja morte ainda era recente e - quem sabe - não totalmente assimilada. Vê-lo assim, tão próximo, algum impacto deve ter causado. Atrás dele Patrese, seguido por Berger, por Piquet e por um escondido Naninni, talvez pela pela forma como conquistou seu triunfo, em 89.


Por capricho do ilustrador, Senna aparece como que à frente do italiano, desta vez pela vitória de 88, seguido de Berger.


Os carros desenhados deixaram sua marca no mesmo lugar, Suzuka, em anos distintos. Curiosa a representação deles percorrendo traçados paralelos, dando forma às inimitáveis palavras de Proust: "Os lugares que conhecemos não pertencem sequer ao mundo do espaço, onde os situamos para maior facilidade. Não passam de uma delgada fatia em meio às impressões contíguas que formavam nossa vida de então" (No caminho de Swann, trad. Fernando Py).


Saturday, September 26, 2009

Cartazes - GP do Canadá 1969 (e a única desclassificação da história por estar "lento demais")

Para o anúncio da volta do GP do Canadá no ano que vem não passar despercebido - embora ainda seja necessário uma confirmação oficial. Um cartaz e ma história.

O cartaz, acima, não é dos melhores. Três famílias tipográficas diferentes, uma profusão incômoda de cores vindas dos carros e das letras. E pelamor, o que aconteceu com a cabeça dos pilotos 12 e 2? Por que tão pequenas?


A história é do homem da foto, em sua segunda e última corrida de Fórmula 1. Al Pease, piloto local que correu os GPs do Canadá de 67 e 69. Note que seu Eagle-Climax (equipe particular) não dispõe de aerofólios - já bastante utilizados no fim de 1969.

Pease não se qualificou tão mal - 17o num grid de 19 carros. Na primeira volta, envolveu-se em um acidente com Silvio Moser, mas continuou na pista, mesmo com seu velho equipamento danificado. Não se monstrou cortês no papel de retardatário. Finalmente, uma representação de Ken Tyrrell à direção de prova provocou sua imediata desclassificação. Recebeu a bandeira preta após 22 voltas - naquela altura, todos os outros pilotos em pista já tinham completado muito mais que o dobro.

Wednesday, September 2, 2009

Cartazes - GP da Itália 1949



O GP da Bélgica ainda rende muito assunto, denúncias, especulações. Julgamentos, depoimentos, declarações ainda devem acontecer até que os carros cheguem a Monza, no próximo dia 13.

Mas no meio de toda essa chatice de jornalismo condicional (aquele de "fulano teria delcarado", "beltrano diz que, se confirmadas as denúncias") vale mais a pena falar de outra coisa. Então vamos falar de passado.

Acima, o belo cartaz de divulgação do GP da Itália de 1949, a pista se abrindo sobre as grandes árvores e o sol flamejante se impondo acima do circuito. A esperança, talvez, de ver um campeonato mundial estruturado no ano que vem.
Mais uma vez, o título GP da Europa se sobrepôs ao título nacional - o que talvez queira indicar uma tentativa de reunião do continente após as tragédias da Segunda Guerra.
Poucas palavras, três carros desenhados (o que é bastante para um cartaz, diga-se) e um enorme céu sobre a pista. E é quase possível ouvir som dos motores rasgando as retas!

Friday, August 28, 2009

Cartazes - GP de Lausanne 1949


Saindo da Bélgica para dar um pulo na Suíça. O GP de Lausanne era um evento menor do fim dos anos 1940, mas reunia alguns nomes interessantes.


Os carros deram 90 voltas num sinuoso percurso de 3,251 km. Depois de 2h44min, Giuseppe Farina cruzou a linha de chegada na frente. Apesar de piloto oficial da Alfa Romeo, ele correu neste dia com uma Maserati 4CLT própria. A Ferrari mandou os carros oficiais de Alberto Ascari e Peter Whitehead, o italiano terminando em segundo.


O cartaz, assinado como se vê (no canto inferior direito), é marcado por cores quentes que não costumamos associar com as margens do lago Genebra. Talvez não seja a mais inspirada criação da época, nem em seu país. Mas é uma simpática lembrança de quando o automobilismo não era assim tão complicado - bastavam ruas, carros e pilotos.

Thursday, August 13, 2009

Cartazes - GP das Nações 1946

Pensaram que esta seção tinha morrido? Pensaram errado, pois. É uma das mais impopulares do blog, mas vale a pena ser mantida.

Uma das razões, para poder publicar esta linda peça, de um dos GPs suíços da década de 40. A composição é simples (em design, diz-se, less is more): poucos elementos e apenas uma cor, o vermelho - tecnicamente falando, preto e branco não são cores, mas quantidades de luz.

O fundo preto atenua o estranhamento de ver um pneu branco. Perceba que a roda dianteira direita determina a posição de todas as outras linhas. Nenhuma delas é reta. As linhas de força produzem círculos, e até os prédios ao fundo seguem esta disposição. Poucas informações, claras concisas, diretas.

O próximo post tratará de um evento bastante interessante que aconteceu no dia 21 de julho, nas ruas de Genebra... com Tazio Nuvolari.

Thursday, July 23, 2009

Cartazes - GP de San Marino... hmm... 1998??

O cartaz do Grande Prêmio de San Marino de 1998 não teria nada de especial... caso Ayrton Senna não tivesse morrido lá alguns anos antes. Naquela temporada o desenho das peças publicitárias já era há muito padronizada, e quase todas foram desenhadas do mesmo modo, provavelmente pela mesma pessoa: com o desenho da pista em primeiro plano, formando um "grid" para o texto.

Acontece que entregaram o trabalho prar um designer que não entendia muito de Fórmula 1, que usou como referência um desenho antigo. Tudo bem que a precisão do traço em relação ao mapa talvez não fosse a exigência.

...Mas o resultado final foi uma verdadeira gafe. Todas as modificações feitas no circuito após 1994 foram ignoradas: a Tamburello e a Villeneuve, a Acque Minerale, a Variante Bassa. E pensar que o trabalho não apenas foi entregue a alguém que não conhecia o meio, como também foi aprovado por executivos da própria Fórmula 1.

Como brinde, o cartaz do GP seguinte, da Espanha, no qual há outra pequena (?) gafe: a chicane Nissan, extinta desde 1995.




Tuesday, July 14, 2009

Cartazes - GP da Austrália 1986 e 1987

E como o hino australiano voltou a tocar num pódio após tanto tempo, nada mais oportuno.

Confesso: sou fã incondicional das ruas de Adelaide, que receberam o GP da Austrália entre 1985 e 1995. Meu apreço por suas corridas aumentou com a bem-vinda colaboração de Paulo Teixeira, o Speeder do Continental Circus, para esta seção. A esta altura, cartzes de divulgação já eram relativamente padronizados, o que não impediu os australianos de criarem duas peças bastante originais.

Em primeiro lugar, porque não estampam o nome oficial da prova , mas o relegam a uma linha fina. Preferem dar mais importância ao "Adelaide Alive", reivindicando o evento à cidade e imprimindo a marca de algo vivo, efervescente. E quem vai dizer que eles estão errados?

Chama a atenção no cartaz e 1986 o primeiro plano não ser dado aos carros, como seria "natural". Os passarinhos emergem e delimitam a pista, como se a imagem quisesse nos dar o ponto de vista deles para que assistíssemos a prova. Também salta aos olhos o otimismo dos locais ao pôr uma Haas Lola em segundo lugar, disputando posição com Prost e Senna. A explicação: era o carro do único aussie inscrito, o campeão Alan Jones. Justa homenagem, por sinal, naquela que seria sua última corrida.


No ano seguinte, a "vivacidade" que era natural agora assume contornos mais humanos: a massa, a multidão, a popularidade do evento é a protagonista. Podemos viajar um pouco e dizer que eles se inspiraram nos belgas, quarenta anos antes. Ou podemos apenas arriscar que a equipe de criação devia estar lendo "Onde está Wally?" em excesso.




Tais cartazes não poderiam vir sem uma justa homenagem ao blogueiro Paulo, que completou mais um ano de vida no último domingo. Obrigado pela colaboração, Speeder!

Monday, July 6, 2009

Cartazes - GP das Nações 1948


Para contrastar com a peça inaugural da sessão. Simples, direto, assertivo: o que vai acontecer, onde, quando. Um carro enorme na frente, contextualizado por um outro menor em segundo plano e a silhueta de uma skyline (supõe-se) de Genebra.

Apenas uma cor, pouquíssimos elementos. Uma das mais valiosas lições da Bauhaus, muito bem compreendida: Less is more.

Sobre a Suíça da época, duas breves notas. A primeira, que era - e ainda o é - um dos grandes centros de excelência em design gráfico. Além disso, por razões óbvias (a saber, todos os seus vizinhos estavam em ruínas após a Segunda Guerra), entre 1945 e 1955 ela era um dos países que mais realizava corridas da elite do automobilismo. Eventualmente chegavam a três os GPs: o GP da Suíça propriamente dito, em Berna; o das Nações, em Genebra; e o de Lausanne, auto-explicativo.


Sunday, June 28, 2009

Cartazes - GP da Bélgica 1947

A partir de hoje, este blog dá início a um espaço semanal dedicado aos cartazes de promoção de corridas de grand prix. Qualquer categoria ou período está valendo, mas como os mais recentes costumam ser padronizados e de gosto duvidoso, há uma preferência mais ou menos explícita pelos mais antigos.

Para começar, o GP da Bélgica, agraciado com o nome de GP da Europa naquele 1947, mas que não queria dizer muita coisa naquela época. O automobilismo europeu começava a se rearticular, agora sem sua maior potência antes da Guerra, a Alemanha. É razoável pensar que, tão pouco tempo após o fim dos conflitos, os países invadidos ainda guardassem certo ressentimento em relação aos germânicos. Isso talvez explique um cartaz tão "explodido", tão cheio de elementos: fazer peças simples e de rápida assimilação foi uma lição ensinada por uma escola alemã de design, a Bauhaus. Escola esta perseguida pelos nazistas, mas da qual eles souberam aprender bastante...

Mas não se pode negar: é até divertido olhar para o cartaz. E você, o que achou? Conseguiu ver os dois amigos bêbados? Ou a mulher tomando sol? Ou alguém que caiu do barranco? Então comente!

Obs: Você também pode participar desta seção, enviando uma imagem para o email indicado no blog e, se quiser, seus comentários sobre ela. Todo material será muito bem-vindo!