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Monday, October 24, 2011

Seppi


Do jornalista inglês Nigel Roebuck:

Siffert tinha a pole position, mas fez uma péssima largada e seu companheiro Gethin assumiu a liderança, perseguido por Fittipaldi. Do pelotão intermediário, porém, Seppi começou a ganhar posições, e na volta 12 disputava duramente com Stewart pelo terceiro lugar. Eu estava na [curva] Druids na largada, após a qual andei de volta à Paddock. De lá olhei para a pista e fiquei atônito ao ver a densa e negra fumaça na área da Pilgrim's Drop, e depois com o pior de todos os sons de uma corrida de carros: o silêncio. Retornando à sala de imprensa, corri para onde estava Philip Turner, do "The Motor", e fiz a pavorosa pergunta daqueles dias: "Quem é?". "Siffert", disse, "e temo que esteja morto".

Era o dia 24 de outubro de 1971, em Brands Hatch, onde fazia um lindo dia de outono inglês. Naquele ano, o GP do México havia sido cancelado na última hora e, no lugar, foi organizado às pressas a World Championship Victory Race, corrida que não contava pontos para a Fórmula 1, no autódromo de Kent. Mesmo sem a presença das Ferrari e das Matras, a prova foi bem-sucedida no número de inscrições.

Era um pista que trazia boas memórias para Jo Siffert, suíço, 35 anos, na Fórmula 1 desde 1962. Foi lá que ele venceu o primeiro de seus dois GPs, em 1968, a bordo de uma Lotus pertencente a Rob Walker - o piloto fez a maior parte da sua carreira correndo nos times independentes.

Em 1971, porém, estava na BRM. Era um dos pilotos de ponta de uma equipe que, não raro, chegava a inscrever cinco carros em uma única prova. Foi um ano de sucesso para ele, que ganhou o GP da Áustria e chegou em segundo em Watkins Glen, três semanas de largar na pole, em Brands Hatch.

De volta a Roebuck:

No mergulho logo após a [curva] Hawthorn a BRM virou inexplicavelmente demais à esquerda, bateu na proteção, deu uma cambalhota e explodiu. Apesar de Seppi ter sofrido apenas uma quebra de tornozelo, ele morreu por asfixia em meio à fumaça e às chamas.

Foto: Jo Siffert durante o GP de Mônaco de 1971


Sunday, August 21, 2011

Willy Mairesse, piloto

Já que o GP da Bélgica se aproxima, este é um bom momento para postar uma foto rara de Spa-Francorchamps, que conta uma história incrível.

Em primeiro plano vemos Jo Siffert em sua primeira corrida, na breve passagem da Scuderia Filipinetti (uma das mais importantes nas corridas de sport-protótipos dos anos 60) pela Fórmula 1. Trata-se do GP da Bélgica de 1962.

Atrás dele, chamas consomem um carro capotado. Enquanto a corrida segue, um carro de serviço, bombeiros e curiosos se amontoam na borda da pista.

Quem pilotava o monoposto, a saber, uma Ferrari, àquela hora já completamente destruída, era o belga Willy Mairesse. Acredite, ele sobreviveu. Saiu consciente do carro, com escoriações e queimaduras leves. Alguns meses mais tarde, seria quarto colocado no GP da Itália.

Mairesse tem uma história singular, singularíssima, entre seus colegas de profissão. Disputou 14 GPs na Fórmula 1 entre 1960 e 64 e venceu uma ou outra prova de protótipos ao longo da mesma década. Mas construiu sua fama com os acidentes que protagonizou. Saiu com vida de todos eles.

No GP da Alemanha de 63, uma saída de pista da Flugplatz matou um comissário e quebrou seu braço.

No mesmo ano, em Le Mans, havia saído com queimaduras de seu carro, que liderava antes de pegar fogo pouco após um reabastecimento infeliz.

Cinco anos depois, na mesma pista, o Ford GT40 em que estava bateu contra um muro e o deixou em coma por duas semanas. Nunca mais Mairesse se recuperou totalmente. Em 2 de setembro de 1969, pôs fim à sua própria vida num quarto de hotel de Ostend. Diz-se que optou pelo suicídio porque sabia que jamais iria voltar a pilotar.

Crédito da foto: Rainer Schlegelmilch

Tuesday, June 8, 2010

Da série "o que um piloto tinha de saber fazer": Jo Siffert, trocando pneu

A insólita cena acima, um piloto trocando o pneu do próprio carro, em algum lugar da pista, aconteceu durante os 1000 km de Spa de 1971. O Gulf Porsche 917K número 24, da equipe John Wyer, é de Jo Siffert, que aparece segurando o macaco.

Em tempo: ao longo dos próximos dias, o blog entra num ritmo de postagens mais lento. Agradeço pela compreensão.

Wednesday, December 30, 2009

Indie Rocks – Scuderia Filipinetti, GP da Alemanha, 1962


O nome Filipinetti é frequentemente associado às competições de carros esporte, mas também participou de Grandes Prêmios, principalmente durante o ano de 1962, no qual foi fundada.

Sua criação, em Genebra, se deu por
Georges Filipinetti, um rico revendedor da Ferrari em seu país. A imprensa local, sobretudo o jornalista Henri-François Berchet, o convenceu de montar uma estrutura para que um jovem promissor suíço pudesse ser lançado na Fórmula 1: Jo Siffert. Ele faria suas primeiras corridas com um Lotus 21-Climax e um Lotus 24-BRM, de propriedade de Filipinetti.

Mas a equipe alinharia outros carros e outros pilotos também, todos helvéticos. Um dos menos famosos foi Heini Walter, fotografado acima durante o GP da Alemanha de 1962. De fato, foi o único GP da sua vida, no qual largou e chegou em décimo quarto a bordo de uma Porsche 718. A equipe chegou a inscrevê-lo para o GP do Mediterrâneo, alguns dias depois, em Enna (não-válido para o mundial), mas uma suspensão quebrada impediu sua participação.

Embora amador, Walter conquistou relativo sucesso em sua carreira nos carros de turismo. Foi inclusive campeão europeu de subida de montanha em 1961. Faleceu aos 82 anos, em maio deste ano.

A Scuderia Filipinetti privilegiou desde o começo as competições de turismo, deixando os monopostos de lado após um curto período. Com as rodas cobertas obteve muito mais êxito e fama. Encerrou suas operações após a morte de seu fundador, em 1973.

Nota: este é o último post do ano. Aos seguidores do calendário gregoriano feliz 2010; aos demais, que sejam felizes nas próximas 55 luas. No ano que vem, desde primeiro dia, este blog continua a ser atualizado.

Friday, December 25, 2009

Graham Hill e Jo Siffert, GP da França, 1968


Na volta 14 da prova em Rouen, Graham Hill encosta sua Lotus com problemas na transmissão. Chovia. O inglês cede então o visor de seu capacete para Jo Siffert (Rob Walker/Lotus), que não o possuía.
Estamos tão acostumados a ver a competição ferrenha nas pistas (o próprio automobilismo costuma se vender como uma competição) que momentos de cooperação entre adversários, como o retratado acima, ganham força poética aterradora. Suspeito que do lado de cá, no mundo real, aconteça o mesmo.
Afinal, todos nós também somos adestrados à competição, a "entrar na corrida", a "ser um vencedor". O automobilismo nos lembra que no final das contas não somos apenas competidores: somos também como estes pilotos andando em círculos que alguma hora encontrarão, solitários, uma bandeira quadriculada.
Essa é a forma que encontrei de desejar boas festas aos leitores deste blog. (Não digo "feliz natal"; quase todas as culturas celebram alguma festa importante nessa época do ano, e meus votos se direcionam a todas elas). O blog continuará a ser atualizado sem interrupções.

Monday, October 12, 2009

Indie Rocks – Rob Walker, África do Sul, 1969


O primeiro post de muitos sobre o time nesta seção. Você talvez não conheça Rob Walker, mas é provável que já tenha tomado um porre com um de seus antepassados. É isso mesmo. Walker é escocês. Não só, mas herdeiro de uma fortuna vinda da produção de uísque.

Morto já há alguns anos, sua carreira na Fórmula 1 é um dos maiores exemplos até hoje na categoria do lema “Keep walking”. Walker foi o mais importante dono de equipe independente. Seu time, que em alguns momentos se chamou RCC Walker Racing Team, em outros Rob Walker/ Jack Durlacher Racing Team, foi o primeiro e o último independente a vencer uma corrida.

Para se contar a sua saga seria necessário citar pelo menos quatro pilotos: Maurice Trintignant, Stirling Moss, Jo Bonnier e Jo Siffert. É com este último que começamos. Um suíço obstinado, vindo de família simples e de mais talento do que as estatísticas foram capazes de refletir. Fotografado aqui durante o GP da África do Sul de 1969, pode-se ver bem a cor do carro, um azul escuro intenso com uma faixa branca no bico. O modelo é um Lotus 49B. O desenho que designava carros inscritos sob a bandeira escocesa.

Saturday, August 8, 2009

Jo Siffert, BMW, GP da Espanha 1967


A parceria que a BMW estabeleceu com Peter Sauber a partir de 2006, e que termina no fim de 2009, é apenas uma na história da marca alemã estabelecida com suíços.

A foto deste post ilustra uma das mais desconhecidas. O suíço Jo Siffert pilotava os carros de Rob Walker na Fórmula 1 em 1967 – mas nas provas de Fórmula 2, corria pela BMW. No instantâneo acima, ele disputa o GP da Espanha de 1967, em Jarama, corrida fora do campeonato mundial no qual tanto inscrições de carros F1 quanto F2 foram aceitas. Apenas quatro da primeira categoria largaram, três dos quais formaram o pódio.

Mais que Sauber, mais do que Siffert, a parceria mais duradoura e bem-sucedida dos bávaros também é com a Suíça – com a família tipográfica
Helvetica, presente no logotipo da marca e em todo seu projeto gráfico.