skip to main |
skip to sidebar
Até o ano passado, a ignorância da publicidade produzia um efeito interessante na televisão brasileira: no intervalo comercial, Felipe Massa vendia (ainda que sem muito entusiasmo) os pneus Bridgestone para os compatriotas consumidores. Mas, durante a transmissão, a imprensa e o próprio piloto culpavam, pelos maus resultados em pista, justamente... os pneus!O raciocínio era que os compostos, únicos para todo o grid, desfavoreciam o estilo de pilotagem de Massa, ao passo que se adaptavam melhor à maneira de Fernando Alonso guiar - explicando, assim, a diferença de rendimento entre os dois.Naturalmente, uma onda de otimismo assolou a nação com a notícia da troca de fornecedores. Principalmente após os primeiros testes com os Pirelli, logo após o GP de Abu Dhabi, em que Felipe relatou se sentir muito mais á vontade usando os novos pneus. Era a salvação.Ainda é cedo para dizer se a mudança para a Pirelli beneficiou o brasileiro ou não. O fato é que o crédito pela pífia nona posição (que virou sétima, graças à desclassificação das Sauber) de Massa em Melbourne, semana passada, recaiu, vejam só, no desgaste excessivo dos pneus.Com os Bridgestone, o problema costumava residir nas peças dianteiras. Desta vez, foram os traseiros que não mantiveram o desempenho até o fim e obrigaram o piloto a fazer mais um pit. Ao menos Massa ainda não tenta vender os Pirelli de rua em pleno horário nobre.
Era para ser uma simples troca de fornecedor de pneus: sai a marca 'b', entra a 'p'. Mas alguém inventou que seria mais divertido se os compostos não fossem capazes de durar uma corrida inteira, nem ao menos metade dela. E o resultado nós veremos daqui a menos de uma semana.Mas não é preciso esperar para se ter uma ideia do espetáculo. Pois a Fórmula 1 deve imitar algo que o inimitável Monty Python idealizou em 1982, no lendário sketch Silly Olympics.Trata-se da reunião das modalidades mais absurdas que alguém pode conceber: temos os 100m rasos para pessoas sem senso de direção, nado livre para não nadadores, 300m com barreiras para pessoas que pensam que são uma galinha...E, perto do 1m25, a largada para a "maratona dos incontinentes". Corredores incapazes de dar dois passos sem tirar água do joelho.O que há 30 anos era uma piada, a Fórmula 1 acha hoje algo normal: colocar três ou quatro pit stops tacitamente obrigatórios por GP, para tornar as corridas mais interessantes. O principal problema da categoria é querer ser levada a sério.
Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar com os leitores deste espaço pela falta de atualizações. Elas tendem a ficar mais constantes já a partir da semana que vem. Ainda preciso 'pegar o ritmo' mais uma vez, me ligar de novo no universo do automobilismo, e isso leva um certo tempo.Dentre as notícias mais quentes está a confirmação do que já se comentava há muito tempo, o retorno da Pirelli como fornecedora de pneus para a Fórmula 1. Uma boa oportunidade para um panorama histórico sobre a passagem da marca pela categoria.Desde 1991 que nenhuma equipe vai à pista calçada com os italianos. Naquele ano ocorreu a última vitória, com Nelson Piquet, com a Benetton, no GP do Canadá. Engana-se, porém, quem pensa que eles saíram no auge. Antes do brasileiro, o último a vencer de Pirelli havia sido Gerhard Berger, no GP do México de 1986 - que ganhou a corrida justamente por confiar no menor desgaste de seus compostos, levando o carro até o fim sem parar nos boxes.No ano anterior, Nelson Piquet havia vencido o GP da França (foto) para salvar o ano da fabricante. Os pneus geralmente eram inferiores aos Goodyear, e na chuva do GP de Portugal protagonizaram um vexame histórico. Paul Ricard foi a única pista onde eles se equipararam aos americanos; o desempenho em reta do motor BMW da Brabham ajudou o brasileiro a fugir dos rivais na longa reta Mistral, e os novos Honda da Williams só alcançariam a plenitude na corrida seguinte, em Silverstone.A conquista de Piquet tirou a Pirelli de uma fila de quase 28 anos: Stirling Moss era o último vencedor da marca, pelo GP da Itália de 1957. Os anos 50 ainda são a década de ouro dos pneus italianos, época em que competiram sobretudo contra os Dunlop britânicos e Englebert belgas. Agora liberados da concorrência, estes números ficarão no passado, e a marca tende a somar vitórias ad infinitum às 43 que já possui.