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Wednesday, April 21, 2010

Tudo o que você não sabia sobre o GP de Portugal de 1985

No dia que marca os 25 anos da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1, resolvi juntar uma série de fatos curiosos que marcaram o GP de Portugal de 1985. O título talvez seja exagerado, por isso, se você sabe algo peculiar sobre esta corrida, não hesite em postá-la nos comentários.

Retirei a maior parte das informações abaixo do Anuário 85/86 de Francisco Santos, dos sites de estatística e de uma cópia em dvd da transmissão original da corrida, com imagens e áudio da Rede Globo. Vamos a ela, portanto:

- Talvez não haja nenhuma prova de 1985 mais lembrada do que o GP de Portugal, em que Senna conquistou a primeira vitória da carreira. No entanto, ela registrou o menor público da temporada, com apenas 18 mil ingressos vendidos. Alguns fatores talvez expliquem o fenômeno. Primeiramente, o GP de Portugal de 1984, o primeiro em Estoril, aconteceu em 21 de outubro - apenas seis meses antes, protanto. Os portugueses talvez tenham sido encorajads a ficar em casa pela transmissão televisiva da prova que decidiu o título entre Lauda e Prost ter sido considerada a melhor do ano. Mas o fator principal, certamente, foi o preço da entrada - tabelados pela FOCA (antecessora da FOM), estavam caros demais para a realidade de Portugal nos anos pré-União Europeia.

- Nenhum treino da prova, nem o warm up, aconteceu em pista molhada, de forma que os pilotos alinharam no grid com um acerto feito completamente 'às cegas' para a condição de pista molhada.

- Com a pista molhada, os pneus Pirelli tiveram um desempenho mais do que vexatório. Os pilotos que tentavam acompanhar os Goodyear invariavelmente saíam da pista. Dos calçados com os italianos, Philippe Alliot (RAM-Hart), Pierluigi Martini (Minardi-Ford), Jacques Laffite (Ligier-Renault), Mauro Baldi (Spirit-Hart), Nelson Piquet (Brabham-BMW) e Andrea de Cesaris (Ligier-Renault) abandonaram por batidas ou saídas de pista.

- Dos nove classificados, apenas Piercarlo Ghinzani (Osella-Alfa Romeo) usava os Pirelli.

- O rápido desgaste sofridos pelos compostos italianos pode ser visto pela tabela de voltas mais rápidas. Numa época em que os reabastecimentos eram proibidos - e, portanto, os carros largavam muito mais pesados do que chegavam -, nenhum piloto com Pirelli fez sua volta mais rápida depois da quinta volta de corrida.

- As condições do tempo eram tão perigosas que os pilotos, mesmo os de Goodyear, não arriscaram demais: quase todos os pilotos já tinham marcado suas melhores voltas até o décimo quinto giro, após o qual as condições da pista se deterioraram. Apenas Mansell (Williams-Honda) e Derek Warwick (Renault) marcaram suas melhores voltas no fim da corrida: voltas 62 e 63, respectivamente, o que sugere que o asfalto começava a secar. Mesmo assim, poucos se arriscaram.

- Um dos pilotos mais prejudicados pelos pneus foi Nelson Piquet. Nos treinos em pista seca, ele registrou a maior velocidade ao final da reta: impressioantes 319 km/h com o motor BMW. Na corrida, porém, não pôde repetir o desempenho. Parou diversas vezes no box, por causa de inúmeros problemas. Em uma das paradas, teve tempo até de trocar de macacão.

- Mas é inegável que Senna (Lotus-Renault) esteve acima de todos os outros naquele fim de semana, e não apenas por causa do pneu Goodyear: ele foi pole provisório na sexta-feira, pole definitivo no sábado, venceu de ponta a ponta e fez a melhor volta.

- Para a Lotus, a vitória foi importantíssima: não apenas a primeira após a morte do fundador Colin Chapman, como a primeira após a contratação do projetista Gérard Doucarouge.

- A volta mais rápida de Senna é um indício de seu domínio: sua marca de 1m44s121 foi mais de sete décimos melhor que a de Michele Alboreto, dono do segundo melhor tempo.

- Ayrton não aproveitou apenas a pole e a liderança para fugir do pelotão, enquanto os outros se debatiam em meio ao spray. Até as 40 primeiras voltas (mais da metade da corrida), Senna tinha sido o mais rápido em 38 delas. Apenas na 22a e 39a passagens, Alboreto havia feito melhor tempo que o brasileiro.

- As câmeras não mostraram, mas em uma dessas duas voltas Senna marcou um tempo muito ruim, porque saiu com as quatro rodas na grama. Caso não tivesse conseguido retornar, toda sua superioridade não teria contado para nada.

- Cabe informar que Alboreto também fez uma ótima apresentação: foi segundo colocado e o único a terminar na mesma volta do líder.

- A final, Alboreto se tornava o líder do campeonato: desde Bandini após o GP da Bélgica de 1966 um italiano não ocupava a mesma posição.

Wednesday, September 30, 2009

Conheça a nova, mas não inédita dupla de pilotos da Ferrari

Um deles já estava lá quando o outro chegou. Sabia-se que era rápido, muitas vezes se deixou levar pelo seu ímpeto, mas só não havia sido ainda campeão mundial porque lhe faltara sorte.

O outro já entrou na equipe com um currículo respeitável. Após correr por Renault e McLaren, chega prometendo o título. Saiu desta justamente por diferenças em relação ao tratamento de Ron Dennis e ao companheiro de equipe.

Felipe Massa e Fernando Alonso, vocês são redundantes! Será que duram mais de uma temporada?


Acima: Nigel Mansell e Alain Prost no pódio do GP de Portugal de 1990. Abaixo: Prost e Mansell no GP da Alemanha do mesmo ano.

Monday, January 5, 2009

Jeitinho italiano


O episódio aconteceu no GP de Portugal de 1994 e foi relatado desta maneira por Francisco Santos em seu anuário:

Na sexta-feira à noite, os mecânicos da Ferrari trabalharam até depois das 21h30 e acharam que a volta que tinham de dar para sair do circuito era demasiado longa. Assim, arrombaram a porta do túnel por baixo da Arquibancada A, e foram surpreendidos por agentes da Guarda Nacional Republicana em pleno delito.

Escaparam da prisão, mas a Ferrari foi alvo dos Comissários Desportivos que lhe aplicaram uma multa de US$ 50 mil e a suspensão por um GP (suspensa por três GPs) por ter posto em jogo o bom nome do esporte.

A Ferrari respondeu da forma mais veemente, afirmando que este “episódio banal” provocou por parte dos comissários e da FIA uma ação que demonstra “a confusão e total falta de credibilidade e seriedade da Fórmula 1, como se verifica desde o início da temporada”. Mais: “... a reação mais correta seria a de retirar nossos carros da prova e regressar de imediato a Maranello. A Ferrari só não o fará por respeito a todos os esportistas e aos tiffosi”.

Apenas para constar, esta suspensão de um grande prêmio jamais foi aplicada. Bizarro, mas... por que este seria o primeiro post do ano em um blog?

A resposta vem na próxima atualização. Antes de tudo, porém, cabe a você opinar: a punição é justa ou não? Suspender uma equipe devido a uma ocorrência extra-pista é válido?

Ou ainda, se preferir: notou algo de estranho no tom do comunicado da Ferrari?

Wednesday, August 13, 2008

Nem tudo deu certo no Estoril


Quem ouve a história da primeira vitória do Senna ou a viu na televisão deve se recordar do domínio absoluto do piloto na corrida.

Porque ele venceu com larga vantagem sobre o segundo colocado, porque ele foi o pole position, porque o carro dele rendeu bem, porque choveu... E, foi, sim, um domínio absoluto. Não só liderou todas as 67 voltas, como foi o mais rápido em pista em 65 delas (numa das voltas em que ele não foi o mais rápido, saiu da pista e colocou as quatro rodas na grama encharcada, tendo a sorte de voltar ileso à prova).

Segundo o Galvão, foi o mais rápido em todos os treinos.

Mas, como prova a foto, esteve longe de ser um passeio... Em uma das sessões, uma falha mecânica o deixou a pé. Um momento entediante, de fato.

E, por mais que na chuva ele fosse muito superior, não havia caído uma gota no fim de semana inteiro, e a largada foi dada sob pista encharcada, num GP em que não parou de chover. O acerto dos carros, muito antes da telemetria, foi feito às cegas (Estoril tinha sido usada só uma vez antes pela Fórmula 1, seca).

Qualquer coisa poderia ter acontecido na corrida. Talvez por isso tenha sido memorável.

Wednesday, July 30, 2008

Chegar em segundo é preciso, vencer não é preciso


Por André Luiz Rozaboni

A seguir, algumas curiosidades sobre resultados de corridas de Fórmula 1 em Estoril.

1984: último GP do ano, Prost (McLaren) lidera com Senna (Toleman) em segundo e Lauda (McLaren) logo atrás. O austríaco ultrapassa a ainda revelação brasileira, chega em segundo e é Campeão do Mundo pela terceira vez com uma vantagem de meio ponto sobre Prost, o vencedor da corrida.

1986: vitória do favorítissimo Mansell (Williams-Honda) mas o campeão daquele ano foi Alain Prost (McLaren) o segundo colocado naquela corrida.

1989: depois do polêmico acidente entre o já desclassificado Mansell e o afobado ou desinformado Senna já na McLaren , Berger, companheiro de Mansell vence a corrida. O Segundo colocado? Alain Prost.Campeão naquele ano.

1990: a prova começa com uma polêmica largada dos "colegas" ferraristas Mansell e Prost com o inglês jogando o companheiro contra o muro na reta. Os McLarens os ultrapassam e dominam o começo da prova com Senna liderando Berger. Porém, Mansell reage faz corrida fabulosa e vence, Prost é apenas terceiro e o segundo colocado é Ayrton Senna, que se consagraria bicampeão naquele ano.

1991: a equipe Williams faz uma trapalhada histórica na parada para troca de pneus de Nigel Mansell. Uma roda fica solta e se solta em plena saída do pit-lane. Um mecânico desesperado faz o encaixe da roda no local e o Leão volta a pista furioso, naquele estilo impar de pilotar. Na pista, faz melhores voltas consecutivas, chega à zona de pontuação mas é desclassificado pela direção de prova por causa do procedimento da equipe na recolocação da roda. Seu companheiro, o italiano Riccardo Patrese vence a prova. Senna fica em segundo e com o tricampeonato no final do ano.

1993: Michael Schumacher, da Benetton, conquista sua segunda vitória na carreira mas o segundo lugar de Alain Prost da Williams-Renault ofusca o resultado. Era a confirmação matemática da conquista do tetracampeonato do francês no mesmo fim de semana em que ele anunciara sua aposentadoria.

1995: David Coulthard da Williams-Renault vence pela primeira vez na Fórmula 1. Michael Schumacher faturaria o campeonato com sua Benetton-Renault. Naquela corrida, chegou em segundo lugar.

1996: Jacques Villeneuve vence pela última vez no ano e seu companheiro Damon Hill chega logo atrás em segundo. Sagra-se campeão daquele ano com uma vitória na derradeira prova seguinte no Japão.

Em 1991 e 1992, e de 1994 a 2000, o vencedor em Interlagos foi o campeão mundial da temporada. Nos GPs de Portugal, entretanto, a julgar pelas estatísticas, vencer não era assim tão desejável...